Despreparo, falta de fiscalização, saiba outros problemas causado pelo Covid 19

No município de Gaspar, região do Vale do Itajaí, estado de Santa Catarina, de acordo com a denúncia da professora da rede pública e privada de ensino, Andrea Cristina Vieira, os postos de saúde estão se recusando a receberem os pacientes com suspeita de Covid-19.

Segundo a professora, que procurou a Unidade Básica de Saúde -UBS, Bela Vista , Gaspar – SC, na segunda-feira -16, após ter tido contato com uma amiga que esteve com um casal de italianos que estão com suspeita de infecção, (O casal segue em estado de isolamento em casa aguardando confirmação dos exames). A professora disse por telefone, que a médica se recusou a vê-la e que o atendimento foi todo realizado pela enfermeira.

Para agravar ainda mais a situação, de acordo com Andrea Cristina, os profissionais da área de saúde municipal, não demonstram qualquer preparo para poder lidar com a situação. Além disso, relata que, material de proteção e prevenção básico falta na USB. “Eles não tinham sequer máscaras, além de não quererem prestar o atendimento, sugeriram que eu fosse ao hospital, o que não é recomendado pelo próprio ministério da saúde. Eles queriam se livrar de mim, iam me direcionando para porta de saída e eu retrucava dando passos para trás, me senti desamparada” destaca.

A docente afirma que só conseguiu ser atendida na unidade, após a amiga que a acompanhava esbravejar e ligar para um amigo médico que interveio, falando sobre a gravidade da situação, as mulheres foram conduzidas para um local à parte. No entanto, segundo Andrea, a sala a qual foram levadas, foi só para abafar o princípio de confusão.

Covid-19 – “Queriam se livrar de mim”

Com suspeitas de realmente estar infectada com o vírus, a professora solicitou a unidade qualquer documento que comprovasse que ela esteve na unidade para atestar sua suspeita. No entanto, o pedido foi recusado. ”Eles não queriam me dar qualquer documento que comprovasse a minha estadia por lá. Não quiseram me conferir um atestado, não fizeram nenhum exame, a médica não me atendeu, não me viu, me senti desprezada, o máximo que consegui deles foi uma declaração de comparecimento, como se eu estivesse com uma forte gripe. O que mais me entristece é o descaso. Quando mais precisamos dos serviços públicos de saúde, não encontramos ajuda, mas sim indiferença”, desabafa.

”Eles não queriam me dar qualquer documento que comprovasse a minha estadia por lá “

Sem qualquer consulta ou exame probatório, a profissional de educação foi liberada da unidade de saúde pública para seguir normalmente os seus dias como se nada estivesse acontecendo. “Achei uma atitude totalmente irresponsável, os profissionais demonstram total despreparo, não me examinaram e ainda me liberaram para ir pra casa. E se eu estiver de fato infectada? Vou contaminar minha escola inteira, além de todos os acadêmicos e colegas de trabalho da faculdade em que leciono”, afirma.

Covid-19 Kit zero – Hospital do Pulmão

Muito contrariada, ela foi até ao Hospital Dia do Pulmão em Blumenau, no qual tem convênio do tipo co-participação, um plano ligado a rede estadual dos funcionários públicos de Santa Catarina – SC Saúde. Ao chegar no local, qual foi a surpresa da professora? Os quites para realizar os teste para o Covid-19 eram poucos, mas diferente do serviço público, ela passou por uma série de outros exames. Porém, para realizar o teste para o coronavírus, Andrea Cristina Vieira conta que a médica falou sobre a escassez do kit e apelou para o seu emocional, “se você realizar o teste, poderá estar tirando a vez de alguém que precise mais do que você, disse-me a médica” relembra.

Andrea conta ainda que a profissional, só disse isso porque foi orientada pela secretaria municipal de saúde da prefeitura de Blumenau.

Planos de saúde descumprem resolução da ANS

Outro problema detectado pela docente foi o descumprimento, por parte dos planos de saúde quanto a resolução normativa da Agência Nacional de Saúde – ANS, que determina que os planos cubram os exames para realização dos testes para o coronavírus.

Na terça-feira – 10,  o secretário-executivo de saúde do Ministério da Saúde, João Gabbardo, afirmou que os testes e o exames para confirmação sob suspeitas de infecção do Covid-19 devem ser custeados pelas operadoras.

A resolução foi aprovada na quinta-feira -12, em reunião extraordinária, a inclusão do exame de detecção do Coronavírus no Rol de Procedimentos obrigatórios para beneficiários de planos de saúde. A Resolução Normativa foi publicada no Diário Oficial da União e entrou em vigor na sexta-feira (13/03), data de sua publicação.

Porém, ela ficou impossibilitada de realizar o exame para comprovar a suspeita, já que as operadoras de plano de saúde não estão cumprindo a normativa obrigatória determinada pela ANS, “Eu não consegui solicitar o teste, eu teria que pagar R$ 350,00, como não tinha o dinheiro não pude solicitar. Eles disseram que depois eu poderia pedir o reembolso, coisa que dificilmente acontecerá. A minha amiga também tem plano numa outra operadora e também, com ela, foi o mesmo procedimento”, conta.

A professora teme ainda que possa ter contaminado o próprio pai, “estive em contato com o meu pai na sexta-feira -13, e agora, ele também apresenta sinais de gripe. Ele procurou a UBS do bairro em que ele reside, mas não recebeu atendimento adequado e segue trabalhando normalmente. E se ele estiver infectado? Vai contaminar as demais pessoas, ele é zelador de um prédio, pega elevador, está em contato com gente a todo instante, acho um descaso o serviço que não está sendo prestado. Se tivessem disponibilizado corretamente os quites nas redes públicas de saúde desde o começo, o risco de contágio seria menor”, desabafa.

Mas o que de fato causou espanto a professora é o total despreparo, tanto na esfera pública, quanto, também, no âmbito particular. Andrea ressalta que a falta de informação e habilidade dos profissionais para o problema é assustador. “Tremendamente preocupante! Estão perdidos, não sabem sequer prestar uma informação coerente. Eu resolvi agir por conta e risco, me informei por meio de artigos e notícias por meio de sites confiáveis na internet, portanto, eu soube agir. Mas e quem não tem o mesmo discernimento, como fica? Lamentável”. finaliza

Até o fim desta matéria tentamos contato com os personagens citados na reportagem, mas sem sucesso.

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